Corpos Plurais: Experiências Possíveis | Liquidificador Comunicação e Arte

Organização: Carla Fernanda da Silva e Celso Kraemer
Autores: Ana Russi, Dulceli Estacheski, Édio Raniere, Fabiele Lessa, Gregory Haertel, Ilze Zirbel, Marilei Schreiner, Marlon Salomon e Rubens da Cunha
Editora: Liquidificador
324 páginas
ISBN 978-85-63401-08-3

R$ 20,00

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Autores e temas:

Gênero e Estudos Feministas no Brasil
Ilze Zirbel
Questões de Gênero: Mulheres Invisíveis, Homens em Evidência
Dulceli Tonet Estacheski
Subjetividade e Prostituição: Poder-Prazer no Capitalismo
Celso Kraemer
A Produção da Heteronormatividade na Escola
Marilei Teresinha Schreiner
Homoafetividades Femininas em Blumenau: Cartografias Possíveis
Carla Fernanda da Silva, Celso Kraemer e Fabiele Lessa
O Corpo, a Leitura e a Técnica
Marlon Salomon
A Escrita-Corpo de Hilda Hilst
Rubens da Cunha
Vivência Corporal e Musicalidade: Trabalhando a
Diversidade em um Grupo de Dança da Educação Especial
Ana Paula Russi
O Corpo em “Volúpia
Gregory Haertel
Escrever o Caos com Luz
Édio Raniere
Escritos da Carne: A Fotografia como Possibilidade de
Repensar o Erótico na Contemporaneidade
Carla Fernanda da Silva

Livro lançado pela Liquidificador, organizado por professores da Furb, lança olhar sobre o corpo, como espaço onde ocorrem as experiências de mundo, gênero e arte

Um livro-experiência. É desta forma que podemos designar o livro Corpos Plurais: experiências possíveis, onde buscamos cartografar nossa convivência de pesquisa sobre o Corpo, Gênero e Arte, dividida, incentivada, debatida, provocada por alunos e amigos. Diálogos em que nossa curiosidade transitou entre o ingênuo e o olhar sutil e perspicaz, por vezes malicioso, de pesquisadores e acadêmicos.

É também a história de amizades, construídas entre salas e corredores da universidade e, claro, mesas de bares: espaços de saber. Lugares que provocaram conversas que oscilaram entre o absurdo e o terrivelmente sério, mas acima de tudo provocaram nossa curiosidade e o desejo de conhecimento. Estes espaços-experiências também foram nossos momentos de convívio com as demais experiências-autoras desse livro. Com alguns dividimos palestras ou conversas, de outros seus textos, pesquisas, exposições ou apresentações. Por isso estas pessoas estão aqui reunidas, pois fizeram parte de nosso percurso-pesquisa: Ana Russi, Dulceli Estacheski, Édio Raniere, Fabiele Lessa, Gregory Haertel, Ilze Zirbel, Marilei Schreiner, Marlon Salomon e Rubens da Cunha.

O Corpo é o eixo central do livro, espaço onde ocorrem as experiências de gênero e arte. A experiência
de mundo passa pelo corpo. Falar isso não é tão difícil. Mas colocar isso na base de um sistema
epistemológico é bem mais desafiador. Para compreendê-lo fizemos um longo caminho de estudo, pois
também somos herdeiros de uma ‘verdade’ dual que divide e hierarquiza corpo e mente. Desconstruir
crenças sedimentadas em nós por quase uma vida, desalojar velhos conceitos, colocar-se no aberto, desabrigados e desalojados das verdades da tradição, tudo isso se fez necessário. Este caminho foi construído em experimentações coletivas, experimentações solidárias, experimentações de troca e parceria, apoios e cumplicidades.

Nas trocas afetivas, cognitivas, estéticas e éticas a que estamos acostumados em nossa sociedade
ocidental, naturalizaram em nós uma divisão do ser humano em corpo e mente, ou corpo e alma. À
mente/alma é atribuída certa superioridade em relação ao corpo. Na tradição de nosso ethos o corpo é
pensado como espaço do instinto, do descontrole, do mal e do pecado.

Muitas vezes, resta-lhe o desprezo; em tantas outras vezes, é o corpo o espaço da manobra, da expropriação, do uso, sobre o qual incidem as estratégias, os dispositivos e as tecnologias de poder.
Nessa tradição tornou-se verdade evidente e inequívoca de que é por meio da mente que ‘verdadeiramente’ conhecemos o mundo.

Estabeleceu-se, assim, uma hierarquia entre mente e corpo. É no interior destas crenças que se põe o
desafio de promover o debate sobre o Corpo, desafio de possibilitar o reconhecimento da dualidade
que nos é atribuída, estudá-la e investir em experimentações que sejam formas de inverter o modo de
compreensão. Nestas experimentações do devir corpo foi que também percebemos a necessidade de
estabelecer novos espaços de diálogo, de estendermos o horizonte da possibilidade para além dos atuais
muros da Universidade; sentir, capturar e ver em nosso redor as experiências possíveis do corpo e
compreender a pluralidade e sensibilidade das experiências humanas.

E como Nietzsche, pensar o corpo como espaço de experiência, onde o conhecimento é produzido:
é isso que Corpos Plurais: experiências possíveis pretende apresentar aos leitores. A escrita como
uma possibilidade do compartilhar ideias e mudar realidades injustas. Ideias que se fazem presentes nas palavras que compõem o texto e, também, nas entrelinhas e espaços entre as letras. Preto no branco! Ou, o branco/vazio que transborda por entre os traços negros e formatados das letras impressas.

por Carla Fernanda da Silva, Doutoranda em História pela Universidade Federal do Paraná – UFPR < escritadesi@gmail.com >e Celso Kraemer , Professor do Mestrado em Educação – FURB < celsok@furb.br >Texto originalmente publicado em: http://sinsepes.org.br/expressao/expressao33.pdf

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