Calendário com obras de Roy Kellermann e texto de Aline Assumpção

foto: charles steuckVocê já viu os calendários 2012 lançados pela Gráfica  Baumgartem?
Em duas versões, uma de mesa e outra de parede, os calendários levam obras do artista plástico blumenauense Roy Kellermann, que já soma quase 40 anos de carreira.

Além de uma obra, para cada mês do ano, o calendário traz um texto sobre a obra de Roy, escrito pela artista e jornalista Aline Assumpção.

O texto foi produzido por ocasião da exposição “A Complexa Simplicidade da Forma”,  realizada em 2010,  pelo SESC, com curadoria de Aline e Charles Steuck.

Confira o texto, a seguir, e veja também o catálogo da exposição.

 

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A Complexa Simplicidade da Forma

Um mercador ou um mago? Roy Kellermann oscila sem constrangimento entre o vendedor – de objetos, antiguidades e obras de arte – e o incansável artífice da régua e do compasso, de olhar atento, pronto a pregar uma peça em nossos olhos, com suas figuras precisas e inquietas.

Roy toma o universo ao redor de si, obstinadamente, como que numa desmedida tentativa de colocá-lo em ordem, de responder ao caos com precisão. Paradoxalmente, a sistematização gráfica que produz, nos devolve uma ordem que remete ao infinito e ao sem resposta. Que volume é este, que ora vira orifício? E esta porta onde vai dar? O ilusionista (des)organiza o mundo em arquiteturas do impossível, com suas ‘formas brincantes’ (Spielende Formen).

“Nunca pensei em copiar esse Escher, de quem todos me falam” – as figuras impossíveis de Roy Kellermann nasceram, na verdade, da observação e da afinidade precoce com a geometria. Também foi por acaso que Roy se descobriu neoconcretista – suas formas emergiram sem que ainda tivesse assimilado Lygia Clark ou Amílcar de Castro.

O Roy pintor nasceu depois do corretor de antiguidades. Foi para passar o tempo, nas longas tarde, de pouco movimento em seu antiquário, nos anos 70, que ele comprou a primeira tela. Desta negociação com o tempo, surgia o pintor.

As linhas retas, que marcam sua obra desde o início, assim como as cores puras e vibrantes, pouco tem a ver com o universo rebuscado do antiquário. O colecionador de relíquias e o pintor encontram-se apenas em umas poucas telas em que o artista retrata sua grande obsessão: os relógios antigos. Também pinheiros-do-paraná, escotilhas, o mar, casas e construções lhe servem de matéria-prima. Tudo sempre milimetricamente contido em linhas e curvas perfeitas, em cores cuidadosamente escolhidas, e uma complexa simplicidade…

 Aline Assumpção, jornalista, artista visual e produtora cultural

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