“A Invenção do Teuto-Brasileiro”, de André Voigt, é o mais novo título publicado pela Liquidificador | Liquidificador Comunicação e Arte

Acaba de sair do forno o novo título Liquidificador Editora, recém-saído do forno: “A Invenção do Teuto-Brasileiro”, do historiador Prof.Dr. André Voigt.

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“Teuto-brasileiro: palavra que denomina uma identidade cultural? Muito mais que uma mera designação identitária, o termo “teuto-brasileiro” tornou-se o resultado de uma verdadeira engenharia discursiva. Transformar uma ameaça à integridade nacional brasileira em um modelo de cidadania e de ética do trabalho não é um dado óbvio nem uma brilhante tomada de consciência em meio ao nada. É o próprio uso das palavras e sua identificação órfã com as coisas – e com as pessoas – que tornou possível fazer do teuto-brasileiro uma denominação sociológica, uma identidade cultural, um troféu a ser carregado pelos imigrantes alemães e descendentes radicados no Brasil. Mas que troféu seria esse? Seria essa denominação um elogio ou uma forma de acomodação? Ora, a construção do Brasil como um pacífico “mosaico” de diferenças não é um procedimento que se faz sem acomodar todas as diferenças em um idílio consensual, em que todas as capacidades políticas são substituídas pela obediência ao todo da comunidade. Restaurar os valores morais da democracia é ainda o antigo projeto das ciências humanas e sociais do século XIX, em que o todo da sociedade precisa funcionar como um corpo sem doenças, conflitos ou anomias. Denominar as identidades é, de certa forma, uma parte importante do projeto reacionário oitocentista de acomodação de toda diferença em um consenso, no qual se supõe ser o todo a justa distribuição das partes. Guattari já afirmou que “o conceito de cultura é profundamente reacionário” justamente por entender os mecanismos que tornaram e ainda tornam possível a formação das identidades culturais comunitárias, apesar da existência de subjetividades políticas que fogem a estes paraísos consensuais. O teuto-brasileiro é apenas um exemplo entre tantos outros de como as máquinas de produção identitária são muito mais poderosos que gostaríamos de admitir, mesmo em nossa atualidade democrática.”

 

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André Voigt
Doutor em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Professor Adjunto do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Organizou os livros: “Cartas Reveladas: a troca de correspondências entre Hermann Blumenau e Johann Jacob Sturz” (2004) e, juntamente com Ricardo Machado, “Desterritorializações do Vale” (2012), pela Liquidificador Produtos Culturais. Atualmente, pesquisa as relações entre tempo e escrita a partir da obra de Gaston Bachelard e está escrevendo artigos sobre a relação entre história, estética e política na obra de Jacques Rancière.
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